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domingo, 12 de outubro de 2008

Do momento



A poesia (e a não-poesia) desse momento me toma por inteiro...
fecha meus olhos
e desvia a minha atenção do projeto didático que deveria estar pronto.
Eu posso sentí-la aqui, me controlando,
me guiando através do teclado.

Tento resistir,
ignorar,
mas a música que está tocando também não me deixa esquecer
que, de fato, aqui vive a poesia.

Avassala minhas convicções,
meche com as minhas pseudo-memórias construídas tão arduamente,
contradiz minha razão,
ignora a realidade.
A poesia... essa companheira instável e vital...
destino certo das minhas madrugadas,
alento para as minhas lágrimas,
manifestação de tudo que vive em mim e que se expande para além do sentimentalismo.

Espero pelo momento que eu possa despejar toda a poesia ao vento,
atirar pilhas de papel,
cadernos,
grafite e minha tristeza, alegria, controvérsia e falsos-versos pra quem quiser ler.


Talvez assim eu possa me sentir tão completa quanto agora,
enquanto escrevo.
Breves minutos em que me encontro, discuto e amo minhas controvérsias...
Tão raros instantes em que pouco importa quem está ou não ao meu lado,
quem se importa,
quem vai lembrar ou ler,
quem vai gostar ou não,
quem vai dizer algo
e completar a alegria do meu dia.

Preciso de você mais do que preciso de mim mesma,
preciso da inspiração que me empurra adiante,
que me desafia a ser sempre mais,
que me obriga a sentir, mesmo que eu não queira.
Que me obriga a fechar os olhos quando minha música toca,
que me deixa ser quem sou, e isso basta.

Mas me deixe terminar minhas obrigações,
ler aquele livro para a aula de Modernismo,
pensar na monografia
e sair de casa hoje à tarde.
Me deixe interpretar meu lirismo de um jeito menos doentio
e entender de uma vez que o mundo não respira poesia como eu. Definitivamente.
Ninguém mais suspira com um poema,
não tiram dois minutos do seu dia para ler os devaneios de duas garotas em viagem interplanetária...
falta de tempo?
Falta de poesia!
Falta de amor-próprio, eu diria.


Sinto,respiro,bebo,me alimento,deito e rolo em mares de poesia que me carregam pra longe da simplicidade sentimental
dessa planeta medíocre.


Quero, continuo, sou, entendo, vivo assim, imersa na minha forma peculiar de poesiar...
Vai ser sempre assim,
inevitavelmente.
Vai me manter no 'controle' e me fazer perder a razão,
vai me fazer amar e, quem sabe, desamar com tanta intensidade...,
vai me fazer ser cada vez mais 'eu',
mais poesia... eu quero sempre mais...

Quero me embrulhar em papel de poesia pra
não esquecer jamais do sentimento que moveu cada devaneio,
não esquecer que só sou quem sou
porque aqui vive a poesia.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

No censura Yes loucura

Censura é uma merda.

Meu irmão adora dizer "Não, Rayanna..."
Minha consciência sempre exclama "Pare!"
Minha mãe repete insistentemente "Minha filha, mude"
Meus eus gritam em uníssono "Não seja assim!"
Minha inconstância cria mantras de " Você está errada"
Meu lirismo me cobra "Escreva!"
Meu capitalismo me ordena "Estude!"
Meu relógio me trai tic-taqueando "Corre!"
Meu coração exige "Desame"
Minha racionalidade pede "Esqueça..."
Minhas músicas preferidas me desafiam "Vai chorar?"
Meu Fernando Pessoa me questiona " Vai continuar?"
Minha saudade me atormenta "Vão haver dias melhores?"
Minha tristeza me distrai com "É sempre assim mesmo..."

Não sei porque amarrar minhas convicções, sonhos,
e desejos à conveniência, pertinência ou necessidade.

Censura é uma merda.

Quero sentir o vento no cabelo,
me tatuar até acabarem minhas idéias,
pular de pára-quedas,
pintar o cabelo,
amigos,
quem sabe um piercing?;
rastafari,
meditação,
aventura,
música,
curso de fotografia,
shows de rock,
soluções,
viagens,
poesia,
surpresas,
praia,
livros,
telefonemas de madrugada,
um pouco de vodka,
perfume,
dias nublados,
um pouco de rotina,
esmalte vermelho,
sorrisos,
Aquarius fresh,
abraços,
família,
festas,
clubinho,
fotos.


Vou viver, ser e entender do jeito que quiser.


Censura é uma merda.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Saber é crescer, crescer é viver.

- Bom-dia, em que posso lhe ajudar?

- 10 pães, por favor.

- De que tipo?

- Do... normal... Fresquinho, por favor.

- Claro, mas... Francês? Italiano? Sírio?

- Não, brasileiro mesmo. Temos que valorizar o produto nacional.

- Não, senhor... O estilo do pão.

- Daqueles assim. Molinhos, quentinhos. Que você abre, coloca manteiga e...

- Senhor, olhe a fila... Poderia me dizer que tipo de pão o senhor quer?

- Mas senhor digo eu! Eu já disse, por favor. 10 pães, brasileiros, molinhos e quentinhos. O que um cidadão tem que fazer pra conseguir o que quer?

- Saber o que quer seria um começo...

- Mas eu já...

- Aqui. Dez pães fresquinhos, pode se encaminhar pro caixa.

- Oh, obrigada. Um bom dia pra você.

(...)

- Que pães você deu a ele?

- Que diferença faz?

- Senhor estranho, hein? Mas feliz, não é mesmo? Parece satisfeito com tudo.

- Ilusão, meu amigo. Se pra ele tanto faz é porque não importa. Ele prefere não conhecer pra não ter que escolher. Ele finge que sabe o que quer, mas uma decisão abstrata não faz sentido. Quem não busca conhecer seus caminhos, explorar suas escolhas, dedicar-se aos seus domínios... vive uma vida inteira na certeza de estar fazendo tudo certo e na tristeza do vazio que não desaparece. Vá trabalhar, vá estudar. Isto é real.

(...)

O "senhor" voltou pra casa, colocou os pães na mesa e sentou. O que era aquilo? Ele não preparara o café-da-manhã? O que poderia estar faltando? Que pão curioso... Diferente da última vez. Hummm, gostoso... Que pão seria? Ele deixou o pensamento passar. Era feliz, tinha tudo que queria. Mas então... o que estava faltando?


*Essa provavelmente é a primeira e última vez que eu tento escrever uma história. Eu não sei pensar as palavras, eu sei libertá-las. Quem sabe um dia... Eu tentei, né? Minha vida é abstrata. Boa sorte vivendo a sua.