
A poesia (e a não-poesia) desse momento me toma por inteiro...
fecha meus olhos
e desvia a minha atenção do projeto didático que deveria estar pronto.
Eu posso sentí-la aqui, me controlando,
me guiando através do teclado.
Tento resistir,
ignorar,
mas a música que está tocando também não me deixa esquecer
que, de fato, aqui vive a poesia.
Avassala minhas convicções,
meche com as minhas pseudo-memórias construídas tão arduamente,
contradiz minha razão,
ignora a realidade.
A poesia... essa companheira instável e vital...
destino certo das minhas madrugadas,
alento para as minhas lágrimas,
manifestação de tudo que vive em mim e que se expande para além do sentimentalismo.
Espero pelo momento que eu possa despejar toda a poesia ao vento,
atirar pilhas de papel,
cadernos,
grafite e minha tristeza, alegria, controvérsia e falsos-versos pra quem quiser ler.
Talvez assim eu possa me sentir tão completa quanto agora,
enquanto escrevo.
Breves minutos em que me encontro, discuto e amo minhas controvérsias...
Tão raros instantes em que pouco importa quem está ou não ao meu lado,
quem se importa,
quem vai lembrar ou ler,
quem vai gostar ou não,
quem vai dizer algo
e completar a alegria do meu dia.
Preciso de você mais do que preciso de mim mesma,
preciso da inspiração que me empurra adiante,
que me desafia a ser sempre mais,
que me obriga a sentir, mesmo que eu não queira.
Que me obriga a fechar os olhos quando minha música toca,
que me deixa ser quem sou, e isso basta.
Mas me deixe terminar minhas obrigações,
ler aquele livro para a aula de Modernismo,
pensar na monografia
e sair de casa hoje à tarde.
Me deixe interpretar meu lirismo de um jeito menos doentio
e entender de uma vez que o mundo não respira poesia como eu. Definitivamente.
Ninguém mais suspira com um poema,
não tiram dois minutos do seu dia para ler os devaneios de duas garotas em viagem interplanetária...
falta de tempo?
Falta de poesia!
Falta de amor-próprio, eu diria.
Sinto,respiro,bebo,me alimento,deito e rolo em mares de poesia que me carregam pra longe da simplicidade sentimental
dessa planeta medíocre.
Quero, continuo, sou, entendo, vivo assim, imersa na minha forma peculiar de poesiar...
Vai ser sempre assim,
inevitavelmente.
Vai me manter no 'controle' e me fazer perder a razão,
vai me fazer amar e, quem sabe, desamar com tanta intensidade...,
vai me fazer ser cada vez mais 'eu',
mais poesia... eu quero sempre mais...
Quero me embrulhar em papel de poesia pra
não esquecer jamais do sentimento que moveu cada devaneio,
não esquecer que só sou quem sou
porque aqui vive a poesia.